TRABALHADORES DA EMPRESA FABRIL DE CALÇADOS E UNIFORMES DENUNCIAM TRÊS MESES DE SALÁRIOS EM ATRASO E MÁS CONDIÇÕES LABORAIS- Elias Muhongo
Trabalhadores da Empresa Fabril de Calçados e Uniformes (EFCU-EP), unidade pública tutelada pelo Ministério da Defesa, Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, voltaram a denunciar atrasos salariais, alegadas injustiças laborais e condições de trabalho precárias, numa altura em que a empresa é apontada pelo Executivo como estratégica para reduzir a importação de uniformes e equipamentos destinados às Forças Armadas Angolanas (FAA).
As denúncias surgem cerca de quatro meses depois de o Presidente da República e Comandante-Em-Chefe das FAA, João Lourenço, ter referido no discurso sobre o Estado da Nação que continuavam os esforços para aumentar a capacidade de produção de vestuário ao nível da empresa. Segundo os trabalhadores, persistem atrasos no pagamento dos salários referentes aos meses de dezembro, décimo terceiro, janeiro e parte de fevereiro, situação que, afirmam, tem agravado a vulnerabilidade económica de centenas de funcionários.
Localizada no município do Cazenga, em Luanda, nas instalações da TEXTANG II, a EFCU-EP conta com mais de 1.500 trabalhadores e capacidade produtiva estimada entre 1.000 e 1.600 peças diárias de calçados e uniformes. Ainda assim, os funcionários acusam o Conselho de Administração, liderado pelo engenheiro químico têxtil Artur Augusto Luís Tombias, de má gestão, baixos salários, alegados abusos e ameaças disciplinares.
Em declarações atribuídas ao colectivo laboral, os trabalhadores afirmam que a falta de pagamento tem comprometido o funcionamento da fábrica e colocado as famílias em situação crítica, com dificuldades para alimentação, pagamento de propinas escolares e acesso a serviços básicos. Alguns referem recorrer a empréstimos com juros para suprir necessidades imediatas.
No dia 6 de fevereiro, os trabalhadores realizaram uma assembleia geral para aprovação de um caderno reivindicativo, que inclui exigências como regularização dos salários em atraso, melhoria das condições de trabalho, fornecimento de equipamentos de proteção individual, subsídios de transporte e de risco, melhoria da alimentação, assistência médica e seguro de trabalho.
Os funcionários questionam igualmente a falta de comunicação por parte da direção sobre os atrasos salariais e sobre um alegado aumento salarial de 30% anunciado para 2025, que dizem não se refletir na prática. Criticam ainda o que consideram contradições numa nota informativa interna que reconhece dificuldades financeiras, mas sem apresentar prazos concretos para a regularização dos pagamentos.
Os trabalhadores recordam que o Presidente da República afirmou publicamente que Angola deixaria de importar uniformes para os órgãos de Defesa e Segurança, com a entrada em funcionamento da TEXTANG II. Contudo, dizem não compreender como uma empresa com produção ativa e encomendas consegue acumular três meses de salários em atraso, incluindo subsídios de Natal e décimo terceiro.
Contactados telefonicamente pelo Portal Club-K, o diretor-geral Artur Augusto Luís Tombias e o administrador Paulo Sebastião não prestaram declarações até ao momento.
Os trabalhadores admitem novas formas de reivindicação caso a situação não seja resolvida nos próximos dias, sublinhando que o desgaste físico e emocional está a aumentar entre o pessoal da empresa.
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